O Incompreendido Canário Portador

29 de março

O Incompreendido Canário Portador

Roberto Licciardo 

(Criador de Ágatas Pastéis)

 

 

 

Ágata Pastel Amarelo Mosaico Macho, portador de Isabelino, 

 90 pontos (Quarteto Campeão Brasileiro)

 

Já ouvi muitos iniciantes reclamando da falta de caráter dos criadores, usando os mais diversos “adjetivos” (não seria educado mencioná-los aqui). Uma boa parte das queixas deve-se ao fato do canário classificado, adquirido a peso de “ouro” no último Brasileiro, acasalado com uma fêmea recomendada pelo mesmo criador muitas vezes gerou filhotes muito distintos dos pais. 

A perplexidade muitas vezes já começa pelo total desconhecimento da cor escolhida, exacerbada pela ansiedade de ter filhotes com o mesmo desempenho nas exposições que seu progenitor. A princípio, mesmo com a falta de convívio com o desenvolvimento dos filhotes, o iniciante nem consegue esperar pelo término da muda e já começa os questionamentos. O que não se entende – muitas vezes nem se tentou entender – é que uma característica genética bem relevante pode estar presente: a possibilidade de um canário de determinada cor, mesmo não externando em sua plumagem, ser portador de outras cores e mutações. 

Realmente é fascinante e surpreendente um casal de canários amarelos produzir filhotes brancos ou um casal de canários isabelinos gerar fêmeas acetinadas e assim por diante. Sem entrar no mérito da razão para um determinado canário classificado no Campeonato Brasileiro – portanto típico representante da cor – ter sido em algum momento “misturado” com outras cores, cabe um questionamento importantíssimo que os iniciantes julgam essencial: “por que o criador não me avisou que o canário portava tal cor?”.

É simples. Mesmo tendo todas as anotações sobre seus cruzamentos, muitas vezes essa “herança” genética já vem de longa data, talvez até mesmo nunca tenha aparecido no criadouro daquele criador e ele a desconhece completamente. Outras vezes o criador simplesmente não dá importância ao fato, uma vez que você está adquirindo, por exemplo, um isabelino classificado e pagou um valor acertado pelo que recebeu. Um canário que vai gerar bons exemplares isabelinos típicos (e neste caso, talvez algum “subproduto”: fêmeas acetinadas). Ao iniciante a questão é bem simples: basta não contar com estes exemplares na constituição de seu plantel, se não for de seu interesse. Ou tente entender o resultado, fazer seus questionamentos, experimentar. Faz parte do processo de aprendizado na criação.

Como muitas vezes este exemplar portador também não gera filhotes à altura da sua própria qualidade e os resultados não são os esperados, a frustração só é ainda mais exacerbada pelo fato do mesmo ter gerado filhotes de outra cor/ mutação. 

 

Ágata Pastel Amarelo Nevado, campeão Brasileiro Individual, portador de Isabel

Quem se aventura com criação deve entender que nem sempre os resultados de um trabalho são imediatos e raramente um criador está oferecendo o próprio trabalho para que se dê continuidade (embora em alguns raros casos seja uma possibilidade). Com muita “sorte” o iniciante não obtém nada além de “subproduto” e uns poucos exemplares típicos ruins, o que agrava o desapontamento.

Resumindo o que foi colocado, é preciso ter paciência, discernimento, esperança e persistência na criação (além de muita dedicação e estudo). Tenha certeza que o fato de um canário ser portador não o deprecia em nada. E o mais importante: também é certo que para todo tipo de criador “desonesto, picareta, enganador, comerciante” e tantos outros adjetivos negativos que poderiam ser citados aqui existe um “comprador” pedindo para ser “enganado” (seja por sua ingenuidade, por ansiedade, por má orientação ou talvez pela falsa sensação de ser mais esperto que todos: “estou comprando um canário da genética do “Fulano” por um terço do valor!”). Tenho convicção que ninguém quer assumir este papel e ele é bem simples de ser evitado. 

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